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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

ESTUDO PAGARÁ R$ 12 MIL PARA VOLUNTÁRIOS TESTAREM O REAL EFEITO DA MACONHA


O Instituto Nacional de Abuso de Drogas dos Estados Unidos (NIDA) está pagando US$ 3 mil (R$ 12 mil) por semana para quem voluntariar-se a fumar maconha. A ideia é fazer um estudo para identificar os reais efeitos da droga no corpo e desmentir alguns mitos que estigmatizam os usuários.

Um dos principais focos da pesquisa é descobrir se a maconha alivia o estresse nos usuários e permite que eles levem uma vida funcional. Para isso, os participantes deverão permanecer no centro de pesquisa durante seis meses. Durante o período, eles farão atividades regulares, como limpeza, leitura e assistir TV.

Os especialistas responsáveis pelo estudo esperam reunir cerca de 300 voluntários dispostos a participar da pesquisa. Além de descobrir se a droga alivia o estresse, os pesquisadores esperam constatar se a N- acetilcisteína, um suplemento, tem o poder de combater a dependência da maconha.

Se você é um usuário que fuma maconha para relaxar após um longo dia e ainda assim se levanta para trabalhar novamente na manhã do dia seguinte você pode participar desse estudo. Para inscrever-se, acesse o site do NIDA.



Fonte: Catraca Livre

quarta-feira, 25 de março de 2015

Componente da maconha está liberado para uso medicinal no Brasil







Componente da maconha está liberado para uso medicinal no Brasil – mas a droga, não

Esta semana, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou o uso terapêutico do canabidiol, substância encontrada na planta da qual se faz a maconha. Isso obviamente causou polêmica: será esse o primeiro passo para legalizar a maconha no país? É provável que não.

O canabidiol (CBD) não é um elemento psicoativo da maconha: ou seja, ele não tem efeito entorpecente. Além disso, não há registro de que cause dependência.

Estudos apontam que o CBD ajuda pacientes com doenças neurológicas, como epilepsia e esclerose múltipla. Ele pode ser útil até mesmo em crianças, reduzindo a frequência de convulsões.

A principal produtora de remédios à base de CBD é a China, onde está plantado 70% do estoque global de cânhamo industrial. No país, o consumo de maconha é estritamente ilegal. Da planta, extraem-se as sementes e a fibra.

A Índia também está entre as grandes produtoras de CBD, e lá a maconha é proibida por lei desde 1985. No entanto, o país tem uma atitude mais liberal em relação à droga, por estar associada à religião. Em Varanasi – a cidade indiana mais sagrada do hinduísmo – o próprio governo vende a Cannabis para rituais espirituais.

No Brasil, o cultivo da Cannabis segue proibido, mesmo que para fins de pesquisa. Hoje, cientistas trabalham com maconha apreendida pela Polícia Federal.

Ganhando espaço
Aos poucos, o CBD está ganhando espaço no mundo. Ele é permitido em países como EUA, Canadá e Israel, na forma de cápsulas, sprays, gotas e até adesivos.

No Brasil, foi necessária muita pressão para que o CBD fosse liberado. Parentes de crianças que sofrem convulsão se uniram na campanha Repense, que produziu até um documentário sobre o assunto. O filme relata a rotina de Katiele Fischer, mãe de Anny, em sua luta para conseguir medicar a filha, que sofre de epilepsia refratária.



Esta é a primeira vez que a Anvisa reconhece, oficialmente, o efeito terapêutico de uma substância derivada da Cannabis. Mas ela está cautelosa: a família do paciente ainda terá que pedir autorização para importar produtos à base de CBD, porque eles contêm níveis bastante baixos (porém não nulos) de THC. O tetraidrocanabinol é o principal elemento psicoativo da maconha; esta substância continua proibida.

Ainda não há medicamentos à base de CBD no Brasil, mas isso deve mudar: a Anvisa leva até nove meses para aprovar a venda de novos remédios, e uma empresa europeia entrou com pedido, já em análise.

Com a mudança, médicos podem receitar com mais tranquilidade remédios à base de CBD. E laboratórios no Brasil estão liberados para pesquisar o canabidiol – desde que não plantem maconha.


Além disso, a Anvisa promete algumas medidas para facilitar a importação, criando uma lista dos produtos com CBD mais utilizados – eles terão liberação prévia. A proposta deve ser apresentada em até 30 dias.



[Zero Hora – Estadão – Folha de S. Paulo]

Foto: remédio Sativex à base de canabidiol (AP Photo/GW Pharmaceuticals)

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