quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Filho de político influente lidera grupo de agressores Um grupo de jovens que atuam nos setor Marista, Bueno e Oeste, agridem outros menores sem motivos aparentes.



Identificados dois membros da gangue de adolescentes que tem distribuído agressões supostamente gratuitas pela capital, na última segunda (23), um de 17, outro de 15 anos. Os vídeos fortes foram divulgados nas redes sociais por Marisa Zaiden, 53, doceira e participante de um grupo fechado no Facebook, onde teve acesso às imagens. O nome dos jovens não foi divulgado pela titular da Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai), Tereza Margri, que recebeu o caso na manhã desta quarta-feira (25), da Delegacia de proteção à criança e ao adolescente.

E nem seria preciso. Segundo Marisa, muitos sabem de quem se trata, mas ninguém tem coragem de denunciar. “Não tem ocorrência porque é filho de político influente, filho de dono de casa de festas… Muita gente sabe e fica inerte. Eu publiquei e consegui sete mil visualizações para um vídeo e oito mil para o outro. Não me importa filho de quem é. Eu tenho filhos e netos também e quero justiça”, comenta a denunciante.

A doceira participa de um grupo fechado onde o vídeo foi publicado por uma das mães, com a descrição: “Alerta urgente!!! Meu filho, de 15 anos,ontem à noite me mostrou uma dezena de vídeos estarrecedores. Aqui em Goiânia tem uma gangue de adolescentes, alguns maiores de idade, que saem à rua e shopping para espancar outros jovens de idade entre 12 e 16 anos. São alunos dos colégios Marista, Externato e alguns outros bem tradicionais. Eles filmam o espancamento e depois mandam para o celular da vítima e espalham no Whatsapp para os amigos. Eles escolhem as crianças aleatoriamente, dão tapas, socos, derrubam no chão e dão dezenas de chutes. Estou chocada. Algumas destas vítimas ficam no chão chorando, humilhadas, rodeada de dezenas de expectadores. Meu filho mais velho, hoje, foi ao Goiânia Shoppping e conversou em tom até ameaçador, com os jovens que estavam lá para dar início às filmagens. O chefe da gang não estava e recebeu o recado por telefone. Eu mesma mandei uma mensagem pelo msn avisando que colocarei as imagens na rede social e na tv e ainda irei à delegacia registrar uma ocorrência policial por agressão, lesão corporal e ameaça. Conversem com seus filhos, procurem saber se eles tem conhecimento disso, se já presenciaram ou sofreram algum tipo de agressão, às vezes podem ficar com medo de contar e vcs proibirem os passeios no shopping”.

Apesar disso, de acordo com a delegada titular da Depai afirmou ter descoberto o caso a partir das
investidas da imprensa. “Eu tomei conhecimento porque comecei a receber ligações da imprensa. Não tinha havido ocorrência. Depois disso, tomei conhecimento das investigações preliminares da DPCA acerca dos vídeos. Mas por enquanto não teve nenhum b.o. formalizado”, informou Tereza. No vídeo, chama atenção a forma como os adolescentes abordam aleatoriamente, agredindo gratuitamente. Em uma das imagens, um dos jovens, inclusive, segue caminhando a despeito das agressões e é derrubado por uma rasteia. Quando cai, é chutado pelo agressor. Áudios ameaçadores foram compartilhados por pelo menos dois integrantes do grupo. Um deles era uma ameaça de morte para outro jovem.


O assunto mobilizou a sociedade civil goiana nas redes sociais. Pais, escolas e autoridades tiveram de lidar com o assunto que ainda tende a respingar na conjuntura política do estado, por envolver o filho de um titular influente. “O que chama mais atenção neste caso é a ausência de motivo. Agressão pelo prazer de agredir. Em grupo, eles se identificam em suas causas e encontram prazer na agressão, poder. Esse comportamento é consequência de estrutura emocional que se desenvolve a partir de situações familiares extremas. O desenvolvimento afetivo é muito individual. E neste caso, eles encontram identificação no grupo. No que são julgados errado em casa, dentro da gangue são prestigiados”, esclarece Arilda Ximenes, psicóloga especialista em abordagem familiar em todos os estágios da vida. Ela alerta sobre a dificuldade de combater este tipo de situação porque as próprias punições podem representar realização e compensações para os agressores.

Fonte: Jornal O Hoje Por Rafaela Toledo

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