Jovem morta em shopping pediu socorro
a funcionários, diz polícia
Testemunha relatou que vítima disse
ter sido estuprada e que era ameaçada.
Guarda se matou após executar jovem;
para polícia, motivo foi passional.
Vitor Santana
Do G1 Goias
Aparecida de Goiânia, teria pedido
socorro a funcionários de uma das lojas do centro comercial momentos antes de
ser morta, segundo o delegado responsável pelo caso, André Fernandes. “Um
atendente disse que ela pediu para chamar a polícia, que ela estava sendo
ameaçada pelo namorado e que tinha sido estuprada por ele”, relatou ao G1.
A jovem morreu na sexta-feira (29).
Ela estava com o namorado o guarda civil metropolitano, Ewerton Duarte Caldas,
de 38 anos. O casal estava na praça de alimentação do shopping quando, segundo
a Polícia Civil, tiveram um desentendimento e o homem atirou na cabeça de
Juliana. Em seguida, disparou contra a própria. Ele chegou a ser socorrido, mas
morreu horas depois, no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).
O delegado disse que essas
informações ainda são preliminares e que as testemunhas começarão a ser ouvidas
na segunda-feira (1º). “Essas foram informações obtidas no local do crime,
durante o trabalho de perícia, mas precisam ser confirmadas. Temos que ouvir
essas pessoas e investigar se procede o que elas relatam. Também foi recolhido
material análise, para comprovar ou não esse estupro”, esclareceu Fernandes.
A família de Ewerton, no entanto, diz
que desconhecia qualquer desavença ou ameaça entre o casal. “Nunca soubemos que
ele tivesse ameaçado ela ou que já tivessem brigado alguma vez. Ele não era
violento”, disse ao G1 o tio de Ewerton, o porteiro Orlando de Jesus dos
Santos.
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| Ewerton atirou contra a própria
cabeça após matar
namorada (Foto: Divulgação/PM) |
O parente contou que o sobrinho já
foi casado, mas se separou há cerca de sete anos. Depois do divórcio, Ewerton
passou a morar com a mãe e os dois filhos, uma menina de 11 anos e um garoto,
de 9. “Ele era filho único, então a mãe está em choque até agora. Ela que
cuidava dos meninos quando ele ia trabalhar”, afirma o tio. O guarda apresentou
Juliana à família como namorada há três meses.
A família de Ewerton disse que ainda
não teve contato com a família da jovem morta. “Não temos palavras para
confortar a outra família ou pedir desculpas pelo ato do meu sobrinho. Ainda
não sabemos o que provocou esse ato dele, então não temos nem o que falar”,
lamentou Orlando.
Indignado com o crime, o cantor
Darwin Rocha, primo de Juliana, publicou em uma rede social que a jovem foi
vítima de uma “violência insana”. Ainda na internet, o familiar desabafou
pedindo paz: “Basta de tanta violência! Basta de tanto machismo! Basta de
tantos rancores! Basta de violência na TV, nas ruas, nas casas! Basta dessa
cultura da violência!”.
Mensagens
A polícia ainda vai investigar se,
antes de atirar na namorada, Ewerton enviou uma mensagem por um aplicativo de
celular para um amigo, identificado como Gustavo, dizendo que ia "fazer
besteira". O homem perguntou o motivo e o guarda respondeu:
"Revoltado com umas coisas. Saca, vida ta dando tudo errado (sic)".
O delegado acredita que o crime teve
motivação passional. Antes do crime, os namorados tiveram uma briga no
shopping. "O casal estava tendo uma tensão na própria praça de alimentação
que culminou nessa situação trágica”, disse o delegado.
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Homem chegou a ser atendido, mas
morreu horas depois no Hugo (Foto: Divulgação/PM)
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Em nota, o Buriti Shopping lamentou o
ocorrido e afirmou que prestará todo o suporte necessário para a família das
vítimas. O centro comercial voltou a funcionar normalmente na manhã seguinte ao
crime.
Licença médica
Ewerton tinha voltado ao trabalho
como guarda civil metropolitano há 15 dias, após uma licença médica para cuidar
de problemas psicológicos. “A mãe dele me disse que ele estava muito estressado
e nervoso ultimamente, mas já tinha buscado auxílio médico e estava tomando
remédios. Só que esse estresse era coisa normal da profissão dele”, relatou o
tio.
O subcomandante da Guarda Municipal
de Goiânia, Valdimir de Souza Passos, confirmou que o guarda ficou de licença
médica durante 30 dias. Desde que retornou, ele atuava no serviço
administrativo. Passos informou também que a arma utilizada no crime não
pertence à corporação.



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