Implantação do BRT cresceu 383% nos últimos 10 anos. Estados Unidos, Canadá,
países que aderiram ao sistema, que custa, no mínimo, 10 vezes menos que os metrôs e é cerca de seis vezes mais barato que o VLT. Priorização do transporte público frente
ao individual é tendência global e bandeira de especialistas
Por Giselle Vanessa Carvalho, da diretoria de Jornalismo
Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)
alternativa para melhorar a mobilidade em conglomerados urbanos que não mais
comportam o alto fluxo de automóveis nas vias disponíveis. Chicago, Los Angeles e
Las Vegas, nos Estados Unidos; Xangai e Guangzhou, na China; integram a lista de
locais que adotaram faixas especiais para ônibus, um modelo que cresceu 383% entre
2004 e 2014, sustentado pela saturação automotiva e pela relação custo-benefício que
oferece. De acordo com estudo do Institute for Transportation and Development Policy
(ITDP), a modalidade de transporte que será implantada em Goiânia, como resultado de
parceria entre os governos Municipal e Federal, custa, no mínimo, 10 vezes menos que
um metrô subterrâneo e tem o preço do quilômetro construído cerca de seis vezes
abaixo do de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). A malha do BRT de Goiânia, por
exemplo, tem preço estimado sete vezes abaixo da de um VLT.
Considerado por especialistas em mobilidade a melhor solução econômica e de
desenvolvimento urbano sustentável para o transporte coletivo de alta capacidade, o
BRT é recomendado para cidades com mais de 500 mil habitantes. Nos últimos 10 anos,
segundo pesquisa do ITDP, feita com respaldo da ONU-Habitat e da Climate Works
Foundation, em 62 cidades e 98 linhas instaladas em diferentes localidades do mundo;
foram construídos 1.850 de um total de 2.580 quilômetros de corredores projetados. Os
21,8 quilômetros que vão interligar as regiões Sul e Norte de Goiânia integrarão as
estatísticas do ITDP na próxima década.
“O futuro é o transporte coletivo. Há gestores de todo o mundo envolvidos na
expansão de faixas exclusivas para ônibus e também da malha cicloviária. Priorizar o
transporte coletivo frente ao individual é uma tendência global e bandeira defendida por
especialistas em mobilidade. Goiânia está se modernizando agora para manter a
qualidade de vida das futuras gerações”, diz o prefeito da Capital, Paulo Garcia,
responsável pelo maior investimento em mobilidade urbana da história de Goiânia. Para
a execução da obra, serão aplicados cerca de R$ 210 milhões oriundos do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC) - Pacto pela Mobilidade; e de outros R$ 130 milhões
como contrapartida do Tesouro Municipal, inclusive para custeio de desapropriações.
Ao todo, o BRT deve demandar investimentos na ordem de R$ 340 milhões e
resultar na ampliação em 120 mil usuários da capacidade diária da rede de transporte
público de Goiânia. Composto por 28 ônibus articulados e 65 convencionais, o sistema
fará atendimento direto a 148 bairros da Capital e de Aparecida de Goiânia e integrará
as regiões Noroeste, Norte, Central, Sudoeste, Sudeste e Sul por meio de seis terminais
Maquete eletrônica prospecta plataforma que será construída na Praça do Cruzeiro, Setor Sul
Expansão
Goiânia é a 14ª cidade brasileira a investir no BRT como solução viável para
melhoria da mobilidade urbana. Em diferentes estágios, o sistema está presente em Belo
Horizonte (MG), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cascavel (PR), Curitiba (PR),
Fortaleza (CE), Maringá (PR), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), São
Paulo (SP), Uberlândia (MG) e Vitória (ES). O Brasil, segundo o levantamento feito
pelo ITDP no ano passado, junto à China e ao México, responde por 65% do
crescimento total registrado em obras desse perfil. Mas a expansão do BRT é global.
A pesquisa do Institute for Transportationand Development Policy indica que há
552 quilômetros de BRT na China, 345 no Brasil, 234 no México, 210 na Indonésia,
104 nos Estados Unidos, 95 na Índia, 70 na África do Sul, 68 na França, 25 no Chile e
3,5 quilômetros na Argentina. No entanto, o sistema continua em ampliação. Além dos
21,8 quilômetros que serão acrescentados por Goiânia à malha total do Brasil, Estados
Unidos também projeta aumento dos corredores exclusivos para ônibus, que hoje estão
presentes em Pittsburgh, Cleveland, Las Vegas e Los Angeles. Os EUA planeja
instalações de BRT em Boston, Chicago e San Francisco.
“A exemplo do que acontece em todo o mundo, a frota automotiva em Goiânia
não para de crescer. O impacto desse aumento contínuo é visível nas ruas da cidade, no
cotidiano dos moradores. Buzinas, poluição, congestionamentos, infrações, entre uma
série de problemas que pautam a vida de quem está atrás do volante e também fora dele,
sinalizam de forma clara que é preciso mudar. A questão estrutural do trânsito está na
primeira ordem das discussões políticas em todo o mundo. Todos concordam que é
imprescindível inverter prioridades na busca de soluções para o problema da mobilidade
urbana. O coletivo deve sobrepujar o individual”, pondera Paulo Garcia.
Apenas entre os meses de janeiro e julho do ano passado, 20.135 novos veículos
passaram a circular pelas vias da Capital. Em 2013, a frota registrada em Goiânia era de
1.045.796. Em julho de 2014, estava em 1.139.775. Ao todo, 93.979 veículos ganharam
as ruas em apenas um ano. Proporcionalmente, 257 carros ou motos foram inseridos às
ruas diariamente. “São dados comparativos apenas dos últimos dois anos, mas não
expressam um crescimento pontual. Eles ilustram uma regra reafirmada em todos os
anos da história recente desta cidade. Estamos a favor do desenvolvimento urbano
sustentável, da manutenção da qualidade de vida. Por isso, não medimos esforços para
viabilizar o BRT para Goiânia, porque nós estamos olhando para o futuro”, acrescenta o
prefeito da Capital.
Apesar de não terem participado do levantamento feito pelo ITDP, que
mensurou a extensão das malhas do Bus Rapid Transit, também há BRT no Canadá,
Guatemala, Panamá, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru, Finlândia, Suécia, Reino
Unido, Irlanda, Holanda, Alemanha, Suíça, República Tcheca, Portugal, Espanha,
Turquia, Irã, Nigéria, Japão, Coréia do Sul, Taiwan, Austrália e Nova Zelândia. Ao
todo, o BRT desponta como modelo de transporte coletivo em 35 países. Esse conceito
de transporte coletivo surgiu inicialmente em Goiânia com o Eixo Anhanguera, mas, na
década de 70, se desenvolveu com rapidez em Curitiba com o urbanista Jaime Lerner
´ Países que adotaram o BRT para melhoria da mobilidade urbana. Fonte: brtbrasil.org
Mobilidade
O quantitativo de cidades que criaram faixas exclusivas para o transporte
coletivo por meio do BRT saltou de 55 para 166 nos últimos 10 anos, ainda segundo o
ITDP. Goiânia será 167ª cidade a adotar o sistema. Ampliações dos números e das
experiências bem sucedidas fizeram com que o BRT se tornasse quase unanimidade
para os especialistas em transporte urbano enquanto opção com melhor custo benefício
para melhorias da mobilidade urbana e do meio ambiente em grandes centros urbanos.
Consenso construído também com base em prospecções como a da consultoria
Ernst&Young, que estima que, até 2050, se o automóvel continuar visto como principal
alternativa para deslocamento, 70% das pessoas vão utilizar veículos individuais para
locomoção em grandes cidades. Como impacto desse aumento médio de 20% frente ao
cenário atual, cada cidadão perderia, em média, 106 horas por ano em engarrafamentos.
Número que é o dobro do registrado hoje nos centros urbanos do Brasil. Outra taxa
preocupante é o aumento da população urbana. No país, atualmente ela está em 84%.
Em Goiás, 87%. Em Goiânia, 98%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). Números esses superiores à média mundial, hoje pouco acima de
50%. No entanto, até 2050, a expectativa é de que a concentração populacional na zona
urbana atinja 70% em todo o mundo. Percentual que o Brasil já superou.
Investimentos em sistemas de transporte como o BRT e as ciclovias são
considerados mecanismos eficientes, atestado por cidades onde o funcionamento já está
avançado, para criar uma proporção de 60% de pessoas se deslocando por meio de
transporte coletivo e 40% de carro, para reduzir de 12% para 6% os gastos do Produto
Interno Bruto (PIB) com transporte e para evitar 180 mil mortes anuais em decorrência
de acidentes de trânsito. Para o diretor de transportes para a América Latina do ITDP,
Ulises Navarro, o BRT já provou ser uma medida eficaz para resolver a mobilidade
urbana em um prazo relativamente curto.
“Conforme a extensão, é possível implantar um sistema BRT, do planejamento à
execução, em dois anos. Enquanto isso, uma linha de metrô de mesmas proporções pode
demorar de seis até dez anos”, afirma. A expectativa é que o BRT de Goiânia seja
concluído em 20 meses. Segundo ele, as linhas Cristiano Machado, em Minas Gerais, e
a Transcarioca, no Rio de Janeiro, são consideradas as melhores do mundo. As vias do
BRT no Brasil são as únicas reconhecidas como padrão “gold” para o ITDP. Os títulos
foram concedidos em 2014 com base em mais de 30 critérios.
BRT Norte-Sul
O BRT é um sistema que opera sobre rodas, em faixas exclusivas e expressas.
Em todo o mundo, funciona com pagamento antecipado e integra-se a outras modais de
transporte por meio de estações fixas com objetivo de obter ganho operacional. O BRT
de Goiânia interligará as regiões Sul e Norte, dos terminais de integração Cruzeiro do
Sul, no Parque Amazônia, ao Recanto do Bosque, situado em bairro homônimo; por
meio de 28 ônibus articulados e de 65 convencionais, com instalação de ar
condicionado; que terão o dobro da velocidade de circulação atual, hoje estimada em 14
quilômetros por hora.
No itinerário do corredor estão as seguintes vias: Rio Verde, Quarta Radial,
Primeira Radial, 90, Praça do Cruzeiro, 84, 82 (Praça Cívica), Goiás, Praça dos
Trabalhadores, Goiás Norte, Horácio Costa e Silva, Tapuios Genésio de Lima Brito, dos
Ipês, Lúcio Rebelo, Oriente e Mangalô. Com circulação em velocidades entre 25 e 28
quilômetros por hora, o BRT terá quatro linhas em operação estruturadas de modo a
permitir a difusão da demanda e a dar acessibilidade em Goiânia aos municípios da
região metropolitana. Haverá também dispositivos de informação em tempo real com os
horários de chegada dos ônibus.
Para implantação do projeto, haverá nova estruturação viária e paisagística na
cidade. A reconfiguração das vias de Goiânia incluirá construção de três novos
terminais integradores (nas proximidades dos Correios, na Vila Brasília, da Rodoviária,
no Setor Central, e Avenida Perimetral) e de 39 plataformas de embarque e
desembarque; implantação de paisagismo, de novo sistema de iluminação e de
drenagem pluvial, de sensores e câmeras de monitoramento com funcionamento 24
horas por dia; reforma completa dos terminais Isidória, no Setor Pedro Ludovico;
Recanto do Bosque e Cruzeiro, além da reorganização do trânsito no trecho e nas
imediações por meio de novas sinalizações horizontal, vertical e semafórica.
O BRT contempla ainda a construção de três trincheiras, na Avenida Rio Verde
com Rua Tapajós, Parque Amazônia; na confluência da Rua 90 com Avenida 136, Setor
Sul, e no encontro das avenidas Goiás Norte e Perimetral Norte, Urias Magalhães.
Maquete mostra
Maquete mostra uma das trincheiras que serão construídas para criação do corredor exclusivo do BRT




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